Quando terminei de ler Amanhecer, de Lúcia Miguel Pereira, fiquei pensando em uma pergunta que talvez seja mais difícil do que parece: o que significava ser uma mulher independente no início do século XX? É uma pergunta importante porque seria muito fácil ler Maria Aparecida com os olhos de hoje e julgá-la a partir de…
Constance Fenimore Woolson (1840–1894) foi uma escritora norte-americana bastante reconhecida em seu tempo, embora sua obra tenha sido progressivamente esquecida depois de sua morte. Nascida em New Hampshire e criada em Cleveland, Ohio, Woolson começou a publicar profissionalmente depois da morte do pai, em 1869. Após a morte da mãe, em 1879, mudou-se para a…
Li A Era da Inocência em 2001, durante meu doutorado em Letras, em uma disciplina dedicada às relações entre literatura e cinema. Além do romance de Edith Wharton, assistimos à adaptação dirigida por Martin Scorsese, lançada em 1993. Entre as muitas lembranças daquele semestre, uma permanece especialmente viva. Nossa professora chamou a atenção para a sequência de…
Quando eu fazia o curso de Letras, entre 1978 e 1982, embora com habilitação em Língua Inglesa e Literatura, não posso afirmar que li textos originais em inglês. Nossa professora de Literatura de Língua Inglesa, uma estadunidense que já morava há anos no Brasil, parecia não acreditar em nossa competência para ler textos complexos. Foi…
Quem é a vítima de Uma Vítima? À primeira vista, a resposta parece simples. Lúcia, uma jovem que sacrifica o próprio futuro para impedir que o pai cometa um crime passional, seria a personagem que dá nome ao romance. Mas, ao longo da leitura, a pergunta se torna cada vez mais complexa. Afinal, vítima de…
Confesso que nunca tinha ouvido falar de Carmen Dolores antes de encontrar A luta. E essa constatação talvez revele uma das muitas lacunas da história literária brasileira. Nascida Emília Moncorvo Bandeira de Melo (1852-1910), Carmen Dolores foi cronista, jornalista, contista e romancista, atuando em uma época em que a participação feminina na vida intelectual ainda encontrava…
Antes de falar sobre O Papel de Parede Amarelo, vale conhecer um pouco sua autora. Charlotte Perkins Gilman (1860–1935) foi escritora, conferencista e uma das mais importantes pensadoras feministas de sua época. Após o nascimento da filha, enfrentou um grave quadro de depressão, que hoje seria facilmente reconhecido como depressão pós-parto. Como tratamento, foi submetida ao…
Há livros que envelhecem; outros parecem ficar cada vez mais atuais. Talvez isso aconteça porque suas autoras foram capazes de enxergar conflitos humanos muito antes de seu tempo. Foi o caso de Kate Chopin (1850–1904). Escrevendo no final do século XIX, quando as mulheres tinham pouca liberdade para definir seus próprios caminhos, ela criou personagens…
Durante muito tempo, eu nunca tinha ouvido falar de A Rainha do Ignoto. Só descobri o romance em 2025 — e a sensação foi curiosa: como uma obra tão original da literatura brasileira podia ter passado tanto tempo fora do meu radar? Quanto mais eu lia, mais me impressionava a mistura de regionalismo, fantasia, crítica social…
Charlotte Brontë (1816-1855) é uma das mais famosas escritoras de língua inglesa, parte incontornável do cânone, lida e ensinada amplamente nos cursos de literatura. Dona de uma imaginação singular, produziu — juntamente com as irmãs Emily e Anne — livros que mudaram a história da literatura e moldaram leitores e leitoras ao longo de quase…