
1. O Encontro com o Urso.
Era uma vez duas irmãs que se chamavam Rosa Vermelha e Rosa Branca, eram filhas de um lenhador, e moravam juntos a uma enorme floresta. Um dia, elas estavam na entrada da floresta, quando ouviram um gemido. Prestando bem atenção, notaram que vinha da direção da floresta. Foram até lá, pensando que talvez fosse o pai que estivesse ferido.
Ao chegarem no lugar de onde vinha o gemido, encontraram um enorme urso segurando a pata direita, que sangrava muito.
As moças, com dó do urso, o levaram para casa, onde trataram da ferida. Como se tratava de um corte muito profundo, elas pediram ao pai que deixasse o animal ficar com eles alguns dias. O pai embora receoso de que o urso pudesse fazer algum mal, concordou. Assim se passaram os dias.

2. Rosa Vermelha e o Urso.
Quando o urso já estava curado e já deveria ir embora, Rosa Vermelha, que já gostava da presença do animal em casa, e o achava muito educado para ser um urso comum, perguntou-lhe:
— Então, amigo urso, agora que já está bom, não quer ficar conosco?
O urso, que até então se mantivera calado, uma vez que ursos normais não falam, desta vez respondeu, surpreendendo Rosa Vermelha, que se assustou:
— Não, minha amiga, não posso ficar. Mas se prometer me esperar, dentro de um ano virei buscá-la. Promete?
Rosa Vermelha levou algum tempo para responder, assustada.
Enfim, falou:
— Prometo, sim. Mas afinal, quem é você?
— Quando chegar a hora você saberá.
3. A Espera.
Depois que disse tais palavras, o Urso foi embora. Rosa Vermelha, ao perceber que estava sozinha em casa, pôs-se a chorar, já sentindo saudades. Quando Rosa Branca chegou e a viu chorando, perguntou:
— O que houve, irmã?
Rosa Vermelha contou-lhe a conversa que tivera com o urso
Rosa Branca então disse:
— Não chore, mana. Se ele disse que vai voltar, ele voltará. Vamos esperar para ver.
Assim passou-se um ano. Todos os dias, Rosa Vermelha ia até o lugar onde viu o urso pela primeira vez, na esperança de que ele lá estivesse.
4. A Volta do Urso.
Um dia:
— Olá, Rosa Vermelha.
Era ele! A moça, muito feliz, correu ao seu encontro, que a abraçou junto ao peito.
— Não tem medo de mim, Rosa Vermelha? Sou um urso, lembra?
A moça, chorando de felicidade, respondeu:
— Como posso ter medo de você, se eu o amo? Passaria eu um ano lhe esperando, se não o amasse?
— Você me ama? Mesmo eu sendo assim?
— Não me importa como você é por fora. Sei que no fundo você é bom e generoso. E você me ama também, não?
— Claro que sim, menina. Mas venha, vamos falar com seu pai.
Rosa Vermelha e o Urso foram até a casa do lenhador, onde encontraram Rosa Branca e o pai.
O Urso então disse-lhes que queria casar-se com Rosa Vermelha, se ela concordasse. E que eles deveriam viver na floresta durante um ano, junto com os animais. Pois somente assim ela estaria provando a força de seu amor. Rosa Vermelha, ao ver que o pai ficara indeciso, falou:
— Vou casar-me com ele, pai. Quero sua bênção para ser feliz. Mas não permitirei que tentem nos reparar. Há um ano que eu o espero. Não me afastarei mais dele, e irei morar com ele onde por preciso.
O lenhador, vendo que o amor da filha pelo animal era verdadeiro, concordou com o casamento, que foi realizado numa cerimonia bem simples.
6. Na Caverna.
Depois do casamento, os noivos partiram para a floresta, onde ficaram morando em uma caverna, junto com outros animais. Rosa Vermelha, embora acostumada a um certo conforto, não reclamou de nada. Limpava a caverna todos os dias, fazia a comida, cuidava de tudo.
E sempre demonstrando alegria e carinho, pois, afinal, estava com a pessoa que ela mais amava.
Passaram-se os meses, a vida continuava a mesma. Na casa do lenhador, Rosa Branca também conhecera um rapaz da cidade vizinha e estavam namorando firme. O rapaz, Ricardo, queria casar-se, mas a moça decidiu que só se casaria quando a irmã voltasse.
E assim passou-se um ano.
7. A Transformação
Na caverna, Rosa Vermelha nem sentiu o tempo passar. Na noite em que completou um ano de casamento com o urso, a moça deitou-se como todas as noites, feliz por estar junto do amado. Mas quando amanheceu o dia…
— O que aconteceu? Onde estou? Quem é você?
Perguntava Rosa Vermelha ao belo rapaz que estava a sua frente. Estavam em um quanto luxuoso, como ela nunca havia visto.
O rapaz respondeu:
— Não me reconheces, querida? Sou teu marido, o Urso. Na realidade, sou um príncipe. Tempos atrás, uma bruxa me enfeitiçou, e a todo o meu reino, porque eu não quis casar-me com ela. E determinou que o feitiço só se quebraria se eu me casasse com alguém que me amasse de fato sem se importar com o que eu fosse e aguentasse viver um ano na caverna sem se queixar, feliz por estar comigo. Felizmente encontrei você!
Rosa Vermelha estava atônita! Então ela, a simples filha de um lenhador, que se apaixonara por um urso, havia se casado com um príncipe! Feliz, abraçou-se com o marido.
— Amo você, e sempre vou amar você, seja urso ou príncipe. Agora, precisamos ir ver meu pai e minha irmã.
Claro que sim, querida. Vamos.
8. Enfim, todos juntos.
Rosa Vermelha e o Principe arrumaram-se, pegaram dois lindos cavalos e foram a casa do lenhador.
Ao chegarem lá, todos ficaram muito felizes ao saber o que havia acontecido.
Rosa Branca casou-se com Ricardo, e o Príncipe chamou a todos para morarem no palácio, dando a cada um uma determinada posição. O lenhador tornou-se Primeiro-Ministro e Ricardo ficou sendo o Conselheiro da Moeda, já que era um rapaz honesto e entendia de economia.


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