Eu nunca tinha ouvido falar de Flora Annie Steel até começar a procurar autoras para falar sobre elas em meu canal. Procurando escritoras do século XIX, o nome dela me apareceu, e seu romance, Na face das águas, era listado como seu livro mais importante. Resolvi ir atrás, procurar por ele, e o encontrei no Project Gutenberg, site absolutamente fantástico para quem procura livros de domínio público.

Começo meu texto com uma pergunta: como uma mulher inglesa escreveu um dos romances mais importantes sobre a Revolta dos Sipaios?

Mas antes, vamos tentar conhecer um pouco a autora.

Quem foi Flora Annie Steel?

Flora Anne Steel
Public Domain

Flora Annie Steel (1847–1929) foi uma escritora britânica que viveu por mais de vinte anos na Índia durante o período do domínio colonial britânico. Acompanhando o marido, funcionário do Serviço Civil Indiano, residiu principalmente na região do Punjab, onde desenvolveu um profundo interesse pela cultura, pelas tradições e pelo cotidiano da população local.

Ao contrário de muitos colonos britânicos, Steel procurou estabelecer contato direto com diferentes grupos da sociedade indiana. Aprendeu idiomas locais, conviveu com mulheres indianas, recolheu contos populares e dedicou-se à educação feminina, chegando a atuar como inspetora de escolas no Punjab. Essa experiência proporcionou-lhe um conhecimento pouco comum da realidade indiana e influenciou profundamente sua produção literária.

De volta à Inglaterra, continuou escrevendo romances, contos e obras de divulgação sobre a Índia. Entre seus livros, destaca-se Na face das águas (1896), considerado seu romance mais importante. Ambientado durante a Revolta Indiana de 1857, a obra combina pesquisa histórica e ficção para retratar um dos episódios mais marcantes da história colonial britânica.

Embora escrevesse a partir da perspectiva de uma autora britânica do século XIX, Flora Annie Steel procurou representar a sociedade indiana com maior complexidade do que era comum em sua época. É justamente essa combinação de conhecimento profundo da cultura local e das limitações impostas por sua visão colonial que torna sua obra particularmente interessante para os leitores contemporâneos.

A Revolta Indiana de 1857

Antes de falarmos do romance, precisamos entender o acontecimento que lhe serve de pano de fundo.

Conhecida pelos britânicos durante muito tempo como Motim dos Sipaios e, por muitos historiadores indianos, como a Primeira Guerra de Independência da Índia, a Revolta de 1857 foi um grande levante contra o domínio da Companhia Britânica das Índias Orientais.

O conflito teve início entre soldados indianos — os sipaios — que serviam ao exército britânico, mas rapidamente se espalhou por diversas regiões do norte da Índia. As causas eram muito mais profundas do que um único episódio: havia descontentamento com a expansão do domínio britânico, intervenções políticas, mudanças econômicas, conflitos religiosos e o crescente sentimento de perda da autonomia local.

A revolta foi violentamente reprimida, mas marcou profundamente a história da Índia. Após seu fim, a Companhia das Índias Orientais perdeu o controle do território, que passou a ser administrado diretamente pela Coroa Britânica. É nesse momento de tensão, violência e profundas transformações que Flora Annie Steel ambienta seu romance.

O romance

Capa da edição digitalizada do Project Gutenberg

Confesso que este não foi um romance fácil para mim. Em vários momentos precisei parar, voltar algumas páginas e retomar a leitura para reorganizar os acontecimentos. Durante algum tempo achei que o problema fosse meu. Depois percebi que essa sensação faz parte da própria construção da obra.

Flora Annie Steel constrói uma narrativa ampla, com muitos personagens, diferentes núcleos e constantes mudanças de perspectiva. Em alguns momentos essa estrutura pode parecer confusa. Hoje, porém, penso que essa sensação decorre da própria ambição da autora. Ela não quis contar apenas a história dos britânicos durante a Revolta de 1857; procurou construir um amplo painel da sociedade indiana naquele momento.

Em muitos romances coloniais do século XIX, os habitantes locais aparecem apenas para servir de pano de fundo para aventuras europeias. Em Na face das águas, mesmo que a autora escreva a partir de uma perspectiva britânica, os personagens indianos têm desejos, medos, conflitos, divergências e agência própria. Eles conversam entre si, discordam uns dos outros, tomam decisões e influenciam o rumo da narrativa.

Ela concede um espaço incomum às perspectivas indianas para uma romancista britânica de seu tempo.

Na face das águas talvez não seja o romance mais fácil de ler. Também não é um romance livre dos limites de sua época. Mas continua sendo uma obra valiosa justamente porque nos permite observar a Revolta de 1857 através do olhar de uma autora que conhecia profundamente a Índia e que, embora escrevesse a partir do lado britânico, se esforçou para enxergar a humanidade daqueles que o Império tantas vezes reduziu a simples “rebeldes”.

Talvez essa seja justamente a resposta à pergunta que fiz no início do vídeo. Flora Annie Steel escreveu um dos romances mais importantes sobre a Revolta de 1857 porque conhecia profundamente a Índia. Ao mesmo tempo, nunca deixou de ser uma escritora britânica de seu tempo. É exatamente essa tensão entre conhecimento e limite, entre empatia e perspectiva colonial, que torna Na face das águas um romance tão interessante para ser lido hoje.

O cenário: a Índia como personagem

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a presença constante da própria Índia na narrativa. As cidades, os mercados, os templos, os jardins, o clima, os costumes e as diferentes tradições religiosas não aparecem apenas como cenário. Flora Annie Steel constrói um espaço vivo, que influencia o comportamento das personagens e ajuda o leitor a compreender a complexidade daquele momento histórico. A Índia não serve apenas de pano de fundo para a história; ela participa dela.

Em muitos romances coloniais, a Índia funciona como cenário. Em Na face das águas, ela aparece como sociedade.

Os diferentes lados

Outro aspecto a me marcar nesta leitura foi o fato de que Flora Annie Steel evita transformar o conflito em uma disputa entre heróis e vilões. Há personagens britânicos corajosos, mas também arrogantes, preconceituosos e incapazes de compreender a realidade indiana. Da mesma forma, os personagens indianos não aparecem como um grupo homogêneo. Eles discordam entre si, fazem escolhas diferentes, têm motivações diversas e vivem o conflito de maneiras muito distintas.

Embora a autora não deixe de escrever a partir de uma perspectiva britânica, ela procura mostrar que a Revolta de 1857 não surgiu do nada. Os personagens indianos têm razões para agir, defendem interesses próprios e interpretam os acontecimentos de maneiras que nem sempre coincidem com a visão dos colonizadores.

Talvez o maior mérito de Flora Annie Steel seja tratar muitos de seus personagens indianos como indivíduos, e não apenas como representantes de um povo. Eles possuem personalidade, conflitos e capacidade de decisão. Isso pode parecer pouco para um romance contemporâneo, mas era relativamente incomum em boa parte da literatura colonial do final do século XIX.

Isso não significa que Flora Annie Steel escreva a partir de uma perspectiva neutra. Ela continua sendo uma autora britânica, formada dentro do contexto do Império. Sua simpatia por muitos personagens indianos convive com pressupostos coloniais que hoje podemos identificar com bastante clareza. Talvez seja justamente essa tensão que torne o romance tão interessante para uma leitura crítica.

As mulheres

A maneira como Flora Annie Steel constrói suas personagens femininas merece destaque. Em muitos romances históricos do século XIX, especialmente aqueles ambientados em guerras, as mulheres aparecem apenas como vítimas ou como figuras passivas que aguardam os acontecimentos. Em Na face das águas, isso não acontece.

Kate Erlton, por exemplo, não é apenas uma inglesa tentando sobreviver ao conflito. Ela toma decisões, enfrenta dilemas morais e precisa lidar com um mundo que desmorona ao seu redor. A guerra não a transforma apenas em vítima; obriga-a a agir.

Alice Gissing representa outra forma de enfrentar aquele momento histórico. Sua presença mostra como mulheres britânicas comuns também precisavam encontrar maneiras de sobreviver, adaptar-se e preservar algum sentido de normalidade em meio ao caos.

Do lado indiano, Zora e Tara Devi ampliam ainda mais essa perspectiva. Elas não existem apenas para ilustrar a cultura local ou servir de pano de fundo para a narrativa dos britânicos. São personagens com desejos, conflitos e objetivos próprios, que fazem escolhas e influenciam o desenrolar da história.

Acho particularmente interessante que Flora Annie Steel distribua essa agência entre mulheres de origens muito diferentes. Inglesas e indianas vivem realidades distintas, mas nenhuma delas é reduzida a um papel meramente decorativo. Todas participam, à sua maneira, da experiência da guerra e ajudam o leitor a compreender a dimensão humana daquele conflito.

Mais do que testemunhas da guerra, essas mulheres participam da História. Cada uma à sua maneira, toma decisões, influencia acontecimentos e revela aspectos diferentes da sociedade retratada por Flora Annie Steel. Isso faz com que Na face das águas seja não apenas um romance sobre uma revolta, mas também um romance sobre mulheres vivendo — e enfrentando — um dos momentos mais dramáticos da história da Índia.

Que romance é esse?

Uma das dificuldades de definir Na face das águas é que ele reúne diferentes gêneros ao mesmo tempo. É, antes de tudo, um romance histórico, porque reconstrói, com grande riqueza de detalhes, a Revolta Indiana de 1857. Flora Annie Steel pesquisou cuidadosamente os acontecimentos e procurou inserir seus personagens fictícios em meio a eventos e figuras históricas reais.

Ao mesmo tempo, é também um romance de aventura. A narrativa acompanha fugas, perseguições, encontros inesperados e constantes situações de perigo, mantendo o leitor diante da imprevisibilidade de uma guerra que transforma completamente a vida das pessoas.

Mas reduzir o livro a uma aventura seria injusto. Trata-se também de um romance profundamente político. A autora discute, ainda que a partir de uma perspectiva britânica, o funcionamento do poder colonial, os conflitos entre governantes e governados, as tensões religiosas e culturais e as diferentes interpretações sobre a Revolta de 1857. Em nenhum momento temos a impressão de que existe apenas uma versão dos acontecimentos.

Por fim, o livro possui um enorme interesse cultural. Flora Annie Steel demonstra um conhecimento profundo da Índia. Ao longo da narrativa, apresenta costumes, religiões, línguas, festas, formas de organização social e modos de vida que ajudam o leitor a compreender a enorme diversidade do subcontinente indiano. A Índia não aparece apenas como cenário; ela é parte essencial da própria narrativa.

Talvez seja justamente essa mistura de história, aventura, política e cultura que torne o romance tão fascinante quanto desafiador. Não é uma leitura leve, mas é uma leitura que amplia nosso olhar sobre um episódio histórico que, para muitos de nós, ainda é pouco conhecido.

Por que ler Na face das águas hoje?

À primeira vista, pode parecer que um romance publicado em 1896 sobre a Revolta Indiana de 1857 interessa apenas a quem estuda História ou literatura inglesa. Eu penso exatamente o contrário.

Em primeiro lugar, porque ele nos leva a refletir sobre o colonialismo e suas consequências. Embora os grandes impérios coloniais tenham desaparecido, muitas das estruturas de poder construídas naquele período continuam influenciando a política, a economia e as relações culturais do mundo contemporâneo. Ler romances como Na face das águas nos ajuda a compreender como essas relações eram percebidas por quem viveu naquele contexto.

Mas essa leitura também nos convida a um olhar pós-colonial. Hoje podemos reconhecer tanto os méritos quanto os limites da obra. Flora Annie Steel demonstra um conhecimento profundo da Índia e concede espaço incomum às vozes indianas para uma escritora britânica de sua época. Ao mesmo tempo, permanece vinculada aos pressupostos do Império Britânico. Ler criticamente significa justamente reconhecer essas duas dimensões sem reduzir o romance a uma única interpretação.

O livro também contribui para preservar a memória histórica de um acontecimento que, fora da Índia, costuma receber pouca atenção. A Revolta de 1857 transformou profundamente a história do país e marcou o início de uma nova etapa do domínio britânico. A literatura não substitui a História, mas nos permite perceber como grandes acontecimentos afetam vidas individuais.

Outro aspecto que considero especialmente interessante é a forma como a autora representa o Oriente. Durante muito tempo, grande parte da literatura europeia descreveu as sociedades orientais a partir de estereótipos ou de uma visão exotizante. Ao ler Na face das águas, lembrei-me das reflexões de Gayatri Chakravorty Spivak sobre representação e colonialismo. São questões que continuam extremamente atuais quando pensamos em quem tem o direito de contar a história de um povo. Spivak nos convida justamente a perguntar quem fala, quem é representado e até que ponto aqueles que ocupam posições de poder conseguem realmente dar voz aos grupos historicamente silenciados. Embora Flora Annie Steel permaneça dentro de uma perspectiva colonial, ela procura ouvir e representar personagens indianos de forma muito mais complexa do que era comum em seu tempo.

Também me chamou a atenção o fato de este ser um romance escrito por uma mulher sobre uma guerra. Em vez de concentrar sua narrativa apenas nas estratégias militares ou nas grandes batalhas, Flora Annie Steel mostra como os conflitos atravessam o cotidiano, as relações familiares, as escolhas individuais e, especialmente, a vida das mulheres. Seu olhar amplia nossa compreensão do impacto humano da guerra.

Talvez seja essa a principal razão para ler Na face das águas no século XXI. Não porque ele ofereça respostas definitivas sobre o colonialismo, mas porque nos ensina a lidar com a complexidade. É um romance que permite admirar a capacidade de observação de sua autora e, ao mesmo tempo, reconhecer os limites impostos pelo contexto histórico em que foi escrito. Poucas leituras são tão enriquecedoras quanto aquelas que nos obrigam a sustentar essas duas ideias ao mesmo tempo.

É possível ler um romance colonial de forma crítica? Eu acredito que sim. Ler criticamente não significa aceitar tudo o que a obra diz, nem a descartar por completo. Significa reconhecer seus méritos, compreender seus limites e perceber que, muitas vezes, os livros mais interessantes são justamente aqueles que nos obrigam a pensar para além de respostas simples.

Na face das águas talvez não nos ensine apenas sobre a Revolta Indiana de 1857. Ele também nos ensina que a literatura pode ser um espaço de diálogo entre diferentes culturas, mesmo quando esse diálogo é atravessado por relações de poder, tensões e contradições.

Talvez seja por isso que, mais de um século depois de sua publicação, este continue sendo um romance que vale a pena ler — não apesar de suas contradições, mas também por causa delas.

Quero compartilhar algumas passagens na íntegra, porque acredito que elas falam por si mesmas.

“Suponho que você vai achar isso horrível”, continuou ela, “mas, para mim, não parece que matei um ser humano, sabe? É claro que sinto muito, mas teria ficado muito mais triste se tivesse sido um bebê branco. Você não acha?” (p. 325).

A primeira já nos coloca diante de uma hierarquia racial apresentada como algo natural.

“Erlton atropelou um bebê negro. Não foi culpa dele, de modo algum, e, felizmente, a mãe não pareceu se importar muito; acho que porque era uma menina. Não são um povo estranho? Nunca se sabe o que os faz chorar ou rir…” (p. 331).

A segunda amplia esse olhar colonial, transformando em estranhamento aquilo que deveria despertar compaixão.

“Eram mulheres, tentadoras por natureza dos homens virtuosos” (p. 407).

A terceira desloca esse olhar para outro tipo de preconceito, desta vez dirigido às mulheres. Foram esses os trechos que mais me marcaram durante a leitura. Não porque sejam os mais bonitos — muito pelo contrário. Eles me fizeram parar o livro e pensar. Ao longo deste texto, procurei mostrar o quanto Flora Annie Steel conhecia a Índia e como sua representação dos personagens indianos é mais complexa do que a de muitos escritores britânicos de seu tempo. Mas essas passagens nos lembram que ela também carregava preconceitos profundamente enraizados no mundo em que viveu

Leituras sugeridas

Se Na face das águas despertou em mim tantas perguntas sobre colonialismo, representação, mulheres e sobre quem tem o direito de contar a história de um povo, talvez seja interessante continuar essa conversa por meio de outras escritoras. Algumas delas também escreveram sobre sociedades marcadas pelo colonialismo; outras deram voz a personagens historicamente silenciadas; outras ainda olharam para a guerra e para seus efeitos a partir de perspectivas femininas. São livros muito diferentes entre si, escritos em épocas e contextos diversos, mas que, de alguma maneira, dialogam com as questões que este romance de Flora Annie Steel me fez levantar. Deixo aqui algumas sugestões para quem quiser seguir por esses caminhos.

Ao clicar em cada título, você será direcionado ao texto em domínio público, quando for o caso, ou a um site de vendas, indicado apenas como referência — já que o livro pode ser adquirido na livraria de sua preferência.

Arundhati Roy — O Deus das Pequenas Coisas
Romance ambientado no sul da Índia que aborda castas, desigualdade, gênero, família e heranças sociais do colonialismo. Uma perspectiva indiana contemporânea, muito diferente da de Steel.

Ruth Prawer Jhabvala — Calor e Poeira
A história alterna entre a Índia colonial e a Índia contemporânea, acompanhando mulheres britânicas envolvidas com a sociedade indiana. Explora relações entre culturas, colonialismo, desejo e os diferentes modos de olhar para a Índia.

Kamala Markandaya — Néctar em uma Peneira
A trajetória de uma mulher indiana e de sua família em meio à pobreza e às transformações sociais. O romance aborda tradição, modernização, desigualdade e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres.

Jean Rhys — Vasto Mar de Sargaços
Reimagina a história de Bertha Mason, personagem de Jane Eyre, dando voz à mulher que havia sido transformada em “a louca do sótão”. Um romance fundamental para discutir colonialismo, identidade, gênero e quem tem o direito de contar uma história.

Tsitsi Dangarembga — Condição Nervosa
Uma jovem do Zimbábue busca na educação uma possibilidade de transformação, mas descobre que colonialismo, gênero, classe e tradição limitam suas escolhas. O romance mostra como o poder colonial também interfere na vida familiar e na formação da identidade.

Buchi Emecheta — As Alegrias da Maternidade
A história de uma mulher nigeriana cuja vida é profundamente determinada pelas expectativas sociais em torno do casamento e da maternidade. Questiona a idealização da maternidade e mostra a interseção entre gênero, tradição e mudanças provocadas pelo colonialismo.

Svetlana Aleksiévitch — A Guerra não Tem Rosto de Mulher
A autora reúne relatos de mulheres soviéticas que participaram da Segunda Guerra Mundial. Ao recuperar suas experiências, mostra uma dimensão da guerra que as narrativas militares tradicionais frequentemente deixam de lado: a experiência cotidiana e feminina do conflito.

Virginia Woolf — Três Guinéus
Ensaio em que Woolf relaciona guerra, patriarcado, educação e exclusão das mulheres das estruturas de poder. Uma leitura especialmente interessante para pensar por que a História costuma ser contada a partir de perspectivas predominantemente masculinas.

Vera Brittain — Testament of Youth
Memórias de uma jovem inglesa cuja vida foi profundamente transformada pela Primeira Guerra Mundial. O livro combina experiência pessoal, perda, pacifismo e reflexão sobre o impacto da guerra sobre uma geração de mulheres.

Irène Némirovsky — Suíte Francesa
Romance ambientado durante a invasão alemã da França na Segunda Guerra Mundial. Em vez de apresentar apenas grandes acontecimentos históricos, acompanha pessoas comuns tentando sobreviver, revelando ambiguidades morais e diferentes comportamentos diante da guerra.

Olive Schreiner — A História de uma Fazenda Africana
Romance sul-africano que questiona as expectativas impostas às mulheres e aborda colonialismo, raça, religião e liberdade. A trajetória de suas personagens femininas permite discutir emancipação e as estruturas sociais de seu tempo.


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