Sempre amei literatura. Aprendi a ler tão jovem que não me lembro de minha vida antes da leitura. Cresci rodeada de livros – meu pai era professor, um leitor voraz, e sempre nos estimulava a ler. No entanto, não lembro de ter lido muitas mulheres na minha infância. Minhas primeiras leituras foram os Irmãos Grimm, Monteiro Lobato e Charles Perrault.
A únicas mulheres que lembro de ter lido ainda criança foram Eleonor H. Porter (Poliana) e Louisa May Alcott (Mulherzinhas). No decorrer de minha adolescência conheci outras, como Charlotte Brontë (Jane Eyre) e Jane Austen (Orgulho e Preconceito), mas foi no universo de livros escritos por homens que se formou meu gosto literário.
Antes de começar meu curso de Letras eu já havia lido Camões, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Charles Dickens, William Shakespeare, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, e vários outros. Durante o curso, fui apresentada a outros autores, mas li somente três autoras brasileiras: Raquel de Queiroz, Clarice Lispector e Cecília Meireles. Entre as estrangeiras, na minha habilitação em Língua Inglesa e Literatura, reli aquelas que já havia lido em minha adolescência. Ou seja, continuei a ser moldada por um universo de autores homens, com visões de mundo que não eram as minhas, mas contra as quais eu tinha poucos argumentos, pois não conhecia outras opções.
Declaro que, sem dúvida, não há prazer como a leitura! Como nos cansa depressa qualquer outra coisa que não seja um livro! Quando eu tiver minha própria casa, ficarei desolada se não tiver uma excelente biblioteca (Jane Austen, Orgulho e Preconeito).
O Mestrado em Literatura de Língua Inglesa mudou meu mundo, e me deu aquilo que eu tanto ansiava, mesmo sem saber: a oportunidade de ler mulheres, algumas das quais eu nunca nem tinha ouvido falar, mas que há muito tempo escreviam e publicavam. A leitora que sou hoje surgiu naquele curso que fiz logo no primeiro semestre, Women Writers, ministrado pela maravilhosa Susana Borneo Funck, que se tornou minha orientadora, e por quem tenho, até hoje, um carinho imenso.
Escrever este Blog surgiu daquele meu antigo anseio de ler mais mulheres. Como professora de literatura, da Universidade Estadual do Piauí, sempre apresentei escritoras a meus alunos, e sempre as inclui nas leituras de minhas disciplinas, mesmo que as ementas nem sempre as citassem. Mas me aposentei, e sinto que ainda preciso falar sobre isso, sobre mulheres que escrevem, e sobre os livros que li escritos por elas, e que fizeram de mim quem eu sou hoje.
Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra (Margaret Atwood, Questões Incendiária)
A literatura escrita por mulheres é uma fonte inesgotável de inspiração, diversidade e resistência. Ao longo da história, as escritoras desafiaram normas sociais, quebraram barreiras e trouxeram novas perspetivas para o universo literário, muitas vezes enfrentando invisibilidade e preconceito. Hoje, mais do que nunca, é fundamental celebrar e divulgar estas vozes que, através das palavras, moldam narrativas plurais e enriquecem a nossa compreensão do mundo.


Neste Blog, vamos explorar obras, autoras e movimentos literários que marcaram e continuam a marcar gerações, destacando tanto nomes consagrados como talentos emergentes. Queremos abrir espaço para a partilha de histórias, reflexões e experiências que revelam a força da escrita feminina, promovendo o diálogo e a valorização da diversidade de géneros, estilos e contextos culturais. Seja bem-vindo(a) a este espaço de descoberta, onde cada texto é um convite a mergulhar na riqueza da literatura feita por mulheres e a celebrar o seu contributo fundamental para as letras e para a sociedade.


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